INVESTIR OU POUPAR? O SER OU NÃO SER DAS EMPRESAS NAS ECONOMIAS DESENVOLVIDAS

02 de maio de 2017

A procura de Investimento nas Economias

Apresentamos a nova Folha de Análise criada pelo Gabinete de Estudos Económicos da AXESOR intitulada A procura de Investimento nas Economias Desenvolvidas. Neste relatório analisam-se as consequências do déficit crónico de produção e de investimento que está a ocorrer nas principais economias do mundo. A recuperação dos resultados empresariais, à medida que a pior parte da crise vai ficando cada vez mais longe, não se está a traduzir num aumento significativo do investimento empresarial. Em vez de investir no aumento da capacidade de produção ou de inovação, as empresas estão a optar por encher os seus mealheiros. Os dados indicam claramente que as empresas não financeiras mostram uma capacidade de autofinanciamento cada vez maior, superando ano após ano o seu nível de poupança comparativamente ao do investimento.

É um fenómeno global. A acumulação de liquidez empresarial tem vindo a ser criada ao longo das últimas três décadas. No setor empresarial alemão a poupança já equivale a 3,7% do PIB, e em Espanha é de 2,8%. Nos EUA, que continuando a ser a primeira economia mundial muitas vezes define tendências, a poupança das empresas duplicou ao longo da crise e agora equivale a 12% dos ativos. Basicamente, as empresas ainda não conseguem ver de forma clara. A incerteza sobre a economia começa a ser crónica e perante esta falta de visibilidade, as empresas apostam em dedicar recursos à recompra de ações ou em tratar de seduzir o investidor com o canto da sereia dos dividendos. Nas grandes empresas, o volume dos dividendos pagos chegou a superar em determinado momento os resultados líquidos.

Em Espanha, a queda do investimento empresarial é manifesta: num contexto de estagnação o PIB retrocedeu nada menos que 10 pontos percentuais ao longo da última década, passando de 31% a 21% do PIB. E ao nível estatal, os dados mostram que o investimento público caiu 60% em relação aos níveis pré-crise.

Em definitivo, as expectativas sobre o que está para vir são limitadas. Esta desconfiança converteu-se numa autêntica rémora para incentivar o investimento empresarial. O resultado ameaça levar a uma reação em cadeia relativamente à qual devem ser tomadas medidas: menos investimento conduz a uma queda estrutural da procura; a correção da procura leva a um baixo crescimento económico, que termina resultando num retrocesso do crescimento potencial. Espanha deve atuar, pois, em políticas que favoreçam o crescimento a longo prazo, fundamentalmente naquelas políticas que permitem a acumulação de conhecimento tecnológico. O momento para o fazer é agora, quando ainda se verifica uma forte inércia atual no crescimento económico (o PIB cresceu 3,2% em 2016 e esperamos que este ano cresça 2,7%) e também porque o olhar dos grandes investidores internacionais está de novo posto em Espanha, uma vez que foi desativado o país-em-risco que caracterizou a conjuntura dos mercados de capitais nos piores anos da crise.

Não se pode ignorar um outro efeito muito importante, que é o envelhecimento da população. O mundo moderno caracteriza-se nas economias desenvolvidas por uma média de idade cada vez mais avançada. Sem falar ainda de envelhecimento da sociedade, um menor crescimento da população em idade de trabalhar traduz-se num menor crescimento potencial do emprego, um menor crescimento do PIB e do rendimento per capita, uma desaceleração na inovação e produtividade, tendo como consequência de tudo isto um aumento em termos relativos da dívida pública e privada.

Esse é o pano de fundo pelo qual a partir de agora passará a economia espanhola e ao qual, consequentemente, terá que reagir para contrariar os seus efeitos adversos.

Para mais detalhes, consulte o relatório completo:

 

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Estudos Económicos do Gabinete axesor